segunda-feira, 6 de junho de 2011

Sociedade e Economia da Roma e o Sistema Político

Sistema Político


O Império Romano não manteve sempre o mesmo sistema político.
Começando apenas como Monarquia, ainda como cidade-estado, evoluiu para República quando o Rei Tarquínio foi expulso da cidade em 509 a.C., período durante o qual se deu a maior expansão do Império, que de uma simples cidade se expandiu para a Gália e toda a orla do Mediterrâneo.
Após a subida ao poder de César Augusto, este fez uma reorganização política, tornando-se no primeiro Imperador Romano, dando início ao período mais conhecido desta civilização. O Império poderá ser dividido em várias partes, mas o que importa referir é que depois do início das invasões bárbaras, dividiu-se no Império Ocidental e Oriental, sendo o último o único resistente, com Constatinopla (actual Istanbul) como capital.

Sociedade


Os principais grupos sociais que se construíram em Roma foram os patrícios, os clientes, os plebeus e os escravos.
  • Patrícios: eram grandes proprietários de terras, rebanhos e escravos. Desfrutavam de direitos políticos e podiam desempenhar altas funções públicas no exército, na religião, na justiça ou na administração. Eram os cidadãos romanos.
  • Clientes: eram homens livres que se associavam aos patrícios, prestando-lhes diversos serviços pessoais em troca de auxílio económico e protecção social. Constituíam o ponto de apoio da denominação política e militar dos patrícios.
  • Plebeus: eram homens e mulheres livres que se dedicavam ao comércio, ao artesanato e aos trabalhos agrícolas.
  • Escravos: Representavam uma propriedade, e, assim, o senhor tinha o direito de castigá-los, de vendê-los ou de alugar seus serviços. Muitos escravos eram, no entanto, eventualmente libertados.

Economia Romana


Na Roma Antiga, a agricultura era a actividade econômica fundamental, diferente de outros povos da época, que preferiam dar maior importância ao comércio e ao artesanato. Mas isso deve-se, em parte, à geografia favorável da Península Itálica, que, ao contrário das terras da Grécia, por exemplo, permitia o trabalho agrícola em grande escala.
Alguns especialistas acreditam que Roma se tenha formado a partir de uma aldeia de agricultores e pastores. Inicialmente, a terra era utilizada de forma comunitária, com base em grupos de famílias chamados clãs ou gens. Mas essa situação começara a mudar com a expansão de territórios e o crescimento económico e populacional. As famílias mais antigas e poderosas, que possuíam terras mais férteis, passaram a apropriar-se de terras que até então eram públicas.
Num processo de ocupação de terras, os romanos chegaram numa situação em que, de um lado, havia os grandes latifundiários que concentravam todos os poderes políticos das regiões e, de outro, os pequenos proprietários que, sem direitos de manifestação e de representação, viam-se arruinados pela contínua perda das suas próprias terras. Isso causou desequilíbrios sociais e, durante vários séculos, conflitos.

Economia e Politica Roma Antiga e Atual

A Economia e Política na Sociedade Actual


A economia actual é muito mais desenvolvida, em todos os campos. Desde o comércio, muito mais avançado, como uma 'aldeia global', até ao sistema político.
Na maioria dos países ocidentais, verificam-se repúblicas, no entanto mais evoluídas que a a república na Antiga Roma. A agricultura é agora efectuada maioritariamente por máquinas, e a sua contribuição para a riqueza do país. É agora o sector terciário, ou seja, os serviços, o sector mais importante para a Economia Global.
As moedas são muito mais variadas, com cotações oscilantes no mercado.
Na organização social, distinguem-se apenas a Classe Baixa, Média e Alta, com a média a assumir a maior importância. A escravidão é agora um crima horrendo, reflectindo toda a maior sensibilidade ética da sociedade.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Moeda da Roma Antiga e Atual

                                                

A Moeda Romana


As moedas romanas, em circulação durante a maior parte da República e do Impéri Romano do Ocidente, incluíam o áureo (aureus, em latim), de ouro; o denário (denarius), de prata; o sestércio (sestertius), de bronze; o dupôndio (dupondius), de bronze; e o asse (as), de cobre. Estas denominações foram utilizadas de meados do século II a.C. até meados do século III d.C.
Durante o século III d.C., o denário foi substituído pelo denário duplo, também conhecido como antoniniano (antoninianus), o qual, por sua vez, foi extinto pela reforma monetária de Diocleciano, que criou denominações tais como o argento (argenteus, "de prata") e o follis (bronze prateado). Após as reformas, as moedas em circulação passaram a ser, basicamente, o soldo (solidus), de ouro, e algumas denominações menores de bronze, até o fim do Império Romano do Ocidente.
Estima-se que, por volta do fim da República e do início do Principado, um denário equivalia ao salário diário de um trabalhador. Um denário valia 5 dupôndios ou 10 asses. Sabe-se que durante o século I d.C., um asse comprava o equivalente a meio quilo de pão ou um litro de vinho barato.
         

 

Roma Antiga e atual


Roma, atual capital da Itália, é o centro de onde emergiu um dos mais extensos impérios constituídos durante a Antigüidade. Fixada na porção central da Península Itálica, esta cidade foi criada no século VIII a.C. e contou com diferentes influências culturais e étnicas. Antes de falarmos sobre a criação da civilização romana, devemos assinalar os diversos povos que contribuíram para a origem da mesma. Entre estes, destacamos os etruscos, úmbrios, latinos, sabinos, samnitas e gregos.

Antes da criação da cidade de Roma, os etruscos se destacavam como uma das principais civilizações da porção central da Península Itálica. Os territórios etruscos alcançavam porções do Lácio e da Campanha. Cerca de doze centros urbanos eram ali distribuídos, estabelecendo uma economia bastante estruturada devido às intensas atividades comerciais. Esse desenvolvimento se deu também devido às boas relações firmadas com os fenícios, fixados na porção norte do continente africano.

A criação de Roma é conhecidamente marcada pela lenda envolvendo os irmãos Rômulo e Remo. Segundo a história descrita na obra Eneida, do poeta Virgilio, o povo romano é descendente do herói troiano Enéias. Sua fuga para a Península Itálica se deu em função da destruição da cidade de Tróia, invadida pelos gregos em 1400 a.C.. Após sua chegada, criou uma nova cidade chamada Lavínio. Tempos depois, seu filho Ascânio criou o reino de Alba Longa.

Neste reino ocorreu o enlace entre o deus Marte e a princesa Rea Sílvia, filha do rei Numitor. O envolvimento da princesa com a divindade deu origem aos gêmeos Rômulo e Remo, que deveriam ter direito de reinar sobre Alba Longa. No entanto, o ambicioso Amúlio arquitetou um plano para tomar o governo e, por isso, decidiu lançar as duas crianças às margens do rio Tibre. Rômulo e Remo sobreviveram graças aos cuidados de uma loba que os amamentou e os entregou à proteção de uma família camponesa.

Quando chegaram à idade adulta, os irmãos retornaram para Alba Longa e destituíram Amúlio, logo em seguida decidiram criar a cidade de Roma. Rômulo, que tinha o favor dos deuses, traçou o local onde seriam feitas as primeiras obras da cidade. Inconformado com a decisão do irmão, Remo saltou sobre a marca feita por Rômulo. Em resposta, Rômulo acabou assassinando Remo, tornando-se o primeiro monarca da história de Roma.

Essa explicação mítica é contraposta às pesquisas históricas e arqueológicas que apontam uma hipótese menos heróica sobre as origens de Roma. Segundo especialistas, a fundação de Roma ocorreu a partir da construção de uma fortificação criada pelos latinos e sabinos. Esses dois povos tomaram tal iniciativa, pois resistiam às incursões militares feitas pelos etruscos. No entanto, os mesmos etruscos vieram a dominar a região no século VII a.C.. A partir da fixação desses povos, compreende-se historicamente o início da civilização romana.

segunda-feira, 21 de março de 2011

A ocupação do Mato Grosso do Sul



       

          Entre as regiões noroeste e sudoeste do Estado de Mato Grosso do Sul, sudoeste do antigo Estado de Mato Grosso, estende-se o Pantanal sul-mato-grossense, formado por campos baixos e alagadiços que os rios inundam todo o ano.

          Nesse cenário marcado pela exuberância dos carandás, paratudos e buritis, movimentando-se em busca da sobrevivência viviam tribos de línguas e costumes diferentes, muitas das quais, embora apresentassem variações etno-culturais, tinham em comum a orientação pelo ciclo das águas. Entre essas tribos estavam os canoeiros Payaguá e Guató, povos que tinham no rio Paraguai sua principal fonte de subsistência, dele se afastando apenas quando seu curso inundava os campos.

          Outros grupos sedentários, como os Guaná, de língua Aruak, preferiam os terrenos abrigados e mais propícios ao cultivo, caracterizando-se como tribos de lavradores, produtores de mantimentos e tecidos.

          Nem sedentários, nem completamente nômades, outras tribos, como a dos Guaicuru, também seguiam o fluxo das águas acompanhando a caça que deslocava-se no movimento das enchentes e vazantes. Viventes em terra, esses seminômades caçadores e coletores constituiam-se em bandos de ferozes guerreiros que causavam apreensão entre os demais grupos nativos da região, a quem faziam cativos.

          Nesse ir e vir no compasso das águas, enquanto milhares de nativos viviam em diferentes configurações socioculturais, os espanhóis penetravam o interior do Continente utilizando a foz do Rio da Prata, firmando seu principal núcleo de ocupação em Assunpción, no Paraguai. Pelos afluentes do rio Paraguai chegaram à bacia do Amazonas, donde partiram para a conquista dos altiplanos da América Central.

          Uma vez instalados, possuindo tecnologia superior, os conquistadores implantaram o colonialismo de exploração, apossando-se das novas terras, saqueando suas riquezas e remodelando seus habitantes como escravos coloniais, atuando através da “erradicação da antiga classe dominante local, da concessão de terras como propriedade latifundiária aos conquistadores, da adoção de formas escravistas de conscrição de mão-de-obra e da implantação de patriciados burocráticos, representantes do poder real, como exatores de impostos” (Ribeiro, 1978).

          A partir de então, sob pressão escravista, os povos nativos sofreram grande ruptura em seu processo evolutivo natural, sendo remodelados através da destribalização e da deculturação compulsória, perdendo a maior parte de seu patrimônio cultural e só podendo criar novos hábitos quando estes não colidissem com sua função produtiva dentro do sistema colonial (Idem). Encerradas em territórios cada vez menores ou absorvidas pelo processo civilizatório, as etnias nativas foram conduzidas a transfiguração étnico-cultural ou a completa extinção.

          Os canoeiros Guató, por exemplo, foram dominados ainda no período colonial. Mais tarde, por ocasião da Guerra do Paraguai, lutaram e sofreram ataques de ambos os lados, sendo dizimados nos anos seguintes por epidemias de varíola e outras doenças. Os poucos remanescentes continuaram a viver como pescadores nas lagoas e furos do alto Paraguai (Ribeiro, 1996).

          Os Guaná também foram rapidamente dispersados. Segundo notícias da primeira metade do século XIX, uma parte foi aldeada junto ao Paraguai; outra parte, mais a leste, no rio Miranda, teve suas aldeias invadidas em conflitos entre brasileiros e paraguaios. Com o tempo, os remanescentes dispersos tentaram voltar aos locais de origem, passando a viver em competição com criadores de gado que ocupavam a região (Idem). Os Kinikinawa e os Layana, por exemplo, foram compelidos a trabalhar para aqueles que tomaram suas terras. Os Terena, que tiveram suas aldeias dominadas por comerciantes de aguardente, acabaram transformando-se em sertanejos ou sendo obrigados a afastarem-se das terras férteis do Miranda, refugiando-se em terrenos impróprios para a agricultura e para sua condição de lavradores.

          De maneira generalizada, todas as tribos nativas que habitavam a região foram extintas ou transfiguradas pela pressão de um modelo colonizador despótico e intolerante, expresso, “tanto por sua projeção geográfica sobre a terra inteira quanto na sua capacidade de estancar o desenvolvimento paralelo de outros processos civilizatórios” (Ribeiro, 1978).

          Neste cenário conflitante houve, porém, uma exceção. Um determinado grupo étnico se fortaleceu após o contato com os colonizadores. Para isso, saquearam os bens culturais de seus adversários, adotando o cavalo, a lança e outras armas para utilizá-las no uso da caça e da guerra, aprimorando sua própria estrutura sociocultural e se transformando numa das tribos nativas mais resistentes de toda América do Sul.

          No século XVI, ainda no início da ocupação espanhola, os nativos de quem falamos assaltaram as pequenas vilas que se formaram, as estâncias crioulas e a cidade de Assunção, guerreando ferozmente, fazendo cativos e contra-atacando às tentativas de extermínio e redução empreendidas pelos invasores.
Índios Guaicuru em ação: símbolos do Estado de Mato Grosso do Sul. O nativo do Estado é denominado Guaicuru em razão da bravura e inteligência dessa nação indígena, a qual muito devemos.

          Suas correrias expandiram-se a territórios cada vez mais amplos, aumentando sua fama de guerreiros invencíveis. Desde “Cuiabá, em Mato Grosso, às proximidades de Assunção, no Paraguai, e das aldeias Chiriguano nas encostas andinas, no Chaco, até as tribos Guarani, das matas que margeiam o Paraná. Em toda essa região atacavam e saqueavam não somente grupos indígenas, mas também povoados espanhóis e portugueses, fazendo cativos em todos eles. Chegaram, deste modo, a constituir o principal obstáculo que os colonizadores tiveram de enfrentar no centro da América do Sul e motivo constante de suas preocupações. Bem aparelhadas expedições militares foram armadas por portugueses e espanhóis para combatê-los sem jamais lograr êxito completo contra esses índios cavaleiros, que conheciam profundamente seu território e sabiam fugir a todo encontro que lhes pudesse ser desfavorável” (Ribeiro, 1996).

          Aliados aos canoeiros Payaguá, empreenderam ataques fulminantes por terra e água, como os realizados contra as monções paulistas que rumavam ao ouro de Mato Grosso, causando a elas mais prejuízo que todas as demais tribos guerreiras reunidas.

          Repeliram ainda o assédio ideológico dos espanhóis, principais interessados em sua domesticidade, saqueando e destruindo reduções e aldeamentos missionários; negando-se à conversão salvacionista e dificultando a catequização de outras tribos. Impediram a utilização de caminhos mais curtos entre Assunção e o Peru, obrigando os viajantes a desviarem o curso de suas jornadas por caminhos tortuosos, causando atraso e prejuízo ao empreendimento colonizador.

          Sentiam desprezo pelo raça européia e orgulhavam-se de serem superiores, retribuindo à civilização o mesmo tratamento etnocêntrico e intolerante dispensados aos povos nativos. Sobre esse assunto, Félix Azara, citado por Baldus, escreveu o seguinte: “se creen la nación más noble del mundo, la más generosa, la más formal en el cumplimiento de su palabra con toda lealtad y la más valiente. Como su talla, la belleza y elegancia de sus formas, así como sus fuerzas, son bastante superiores a las de los españoles, ellos consideran a la raza europea como muy inferior a la suya” (Boggiani, 1945).
 Alguns exemplares cerâmicos do rico artesanato guaicuru.
          A eles atribuem-se também importantes participações em episódios da História brasileira, como “o não estabelecimento dos paraguaios acima do rio Apa, numa época em que, primeiro aos portugueses, depois aos brasileiros, era materialmente impossível impedi-lo. No curso da guerra do Paraguai lutaram ativamente ao lado das tropas brasileiras, mas sempre independentes, como uma força à parte, movida por motivações próprias e exercendo a guerra a seu modo” (Ribeiro, 1996).

          Em sua trajetória histórica, resistiram com grande poder de adaptação, chegando até à segunda metade do século XIX com força para impor temor aos inimigos. Atravessaram o século XX mantendo fortes traços culturais conseguindo chegar ao século XXI conservando certo grau de independência e a posse de uma reserva territorial cuja área encontra-se dentro do Município de Porto Murtinho (MS).

          Hoje, estão representados pelos Kadiwéu, remanescentes da divisão de antigas tribos Mbayá-Guaicuru. Sobreviventes que, mais uma vez, tentam adaptar-se ao processo civilizatório que continua a pressioná-los com intolerância e etnocentrismo, resistindo ao assédio da sociedade envolvente que ainda pretende conquistar-lhes a alma e tomar-lhes as terras.

          Símbolo de resistência contra a deculturação compulsória, os Kadiwéu têm uma História que o povo brasileiro deveria conhecer melhor, não apenas pela ferocidade com a qual foram julgados bárbaros e cruéis no passado - traço que a civilização experimentou muitas vezes - mas pela capacidade de lutar e se adaptar sem perder a própria identidade.
 
          Os brancos, espanhóis – pelo Tratado de Tordesilhas, o Pantanal pertencia a Espanha –  chegaram por volta de 1524 subindo o Rio Paraguai. Não houve muito interesse na ocupação devido a descobertas de minas de ouro e prata no Peru e no México. Na segunda metade do século XVI, nas famosas “entradas”, os bandeirantes paulistas alcançaram essas áreas com o objetivo de escravizar índios e encontrar metais preciosos. No início do século XVIII chegaram a Chapada Cuiabana subindo os rios Tietê, Paraná e afluentes do Paraguai. Encontraram grande quantidade de ouro em Cuiabá dando início a conflitos entre a comunidade local e bandeirantes. Os nativos foram resistindo à invasão de seus territórios, algumas sociedades se extinguiram e outras seguiram para áreas de menor interesse econômico.
          Em 1750, surgiram algumas vilas como: Corumbá, São Pedro del Rei (Poconé), Vila Maria do Paraguai (Cáceres) e Miranda o Tratado de Madri, servindo como base para disputas  com espanhóis que tinham a intenção de retomarem as terras antes pertencentes a eles através do Tratado de Madri. O Fote Coimbra foi uma fortaleza militar construída em 1775, nas proximidades de Corumbá. Visando o abastecimento dessas vilas foram instalados engenhos de cana, lavoura e pecuária, aumentando a ocupação do território.
          As grandes fazendas foram surgindo dando lugar a pecuária extensiva. De 1864 a 1870, Mato Grosso foi palco da Guerra do Paraguai, de um lado a Tríplice Aliança formada por Uruguai, Argentina e Brasil, mais o apoio britânico, e do outro, o Paraguai. As cidades e fazendas pantaneiras foram quase totalmente dizimadas. Após a derrota do Paraguai, o Brasil ampliou seu território na região, incorporando cerca de 47000km² de pertencentes ao Paraguai.
          Houve conflitos fundiários devido ao parcelamento das antigas sesmarias incorporando a região grandes projetos de desenvolvimento. Os moradores antigos foram expulsos, seguindo para as áreas ribeirinhas. Reduzindo alternativas de subsistência, fazendo da pesca uma opção a sobrevivência.

A ocupação e a Arqueologia do Mato Grosso do Sul!!

A pesquisa arqueológica no Mato Grosso do Sul começou mais tarde que a de vários outros Estados brasileiros. Os pesquisadores são pouco numerosos e as instituições ainda se estão estruturando para cobrir um vasto território, com ambiente bastante diversificado.
No centro do Estado encontra-se o planalto com seus campos e cerrados, que têm continuidade em Goiás, no Mato Grosso e mais adiante até a fronteira da Amazônia. No oeste, os Pantanais do Alto Paraguai se estendem para os Estados do Mato Grosso e Rondônia e servem de transição para o grande Chaco da Bolívia e do Paraguai. No leste, as matas, que acompanham o rio Paraná e seus principais afluentes, formam continuidade com as florestas de São Paulo e do Sul do Brasil.
Olhando estas conexões, nos damos conta de que a arqueologia do Mato Grosso do Sul talvez não possa ser explicada em si mesma, como se estivesse isolada do mundo, mas precise do amplo contexto em que está inserida. Também é necessário tomar consciência de que a história contada pela arqueologia, a partir de seus enfoques e métodos, não termina abruptamente com o primeiro desembarque do conquistador português e espanhol na nova terra, nem com sua chegada ao Mato Grosso do Sul. No Estado continuam residindo, desde tempos imemoriais, ou transmigradas em períodos históricos, populações indígenas, cuja trajetória faz parte, com pleno direito, do relato que nos propomos a produzir. As lascas de pedra, os cacos de panelas de barro, as gravuras nos grotões da serra, os esqueletos rotos que o arqueólogo estuda, muitas vezes têm nome e dono: este pode ser Kaiowá, Terena, Guaicuru, Guató, Kaiapó do Sul. No Mato Grosso do Sul, Arqueologia e História podem dar-se as mãos para contar uma história sem interrupção, uma vez escavando o solo, outra, compulsando velhos documentos, ou mesmo vivendo nas comunidades originais.
Minha intenção é esboçar essa história, com sua benevolência, a partir de três cenários naturais: os campos e cerrados do planalto, as planícies alagadas do Pantanal, as florestas dos rios Paraná e Paraguai.